Carlos Lampe, goleiro da seleção boliviana, está perto dos 40 anos e vive um sonho inédito: a chance de classificar a Bolívia para a Copa do Mundo após 32 anos de espera. Ele é o goleiro com mais partidas pelo país e já disputou quatro edições da Copa América.
Todos estão com muitas expectativas. Minha esposa e minha filha virão (para o México). Uma das minhas filhas, porque as outras vão ficar. A verdade é que todos estão com expectativas, com muita animação de cumprir esse sonho. Vamos tentar fazer com que isso seja possível, disse Lampe.
Aos 39 anos, Lampe acumula 64 jogos pela seleção nacional e 48 partidas na Libertadores. Muitas delas foram contra times brasileiros, experiência que se repetirá em 2026, pois seu clube, o Bolívar, está no mesmo grupo do Fluminense na competição continental.
Segundo o próprio atleta, nenhuma de suas conquistas anteriores se compara à oportunidade de levar a Bolívia de volta à Copa do Mundo. Suriname e Iraque são os adversários que separam o país desse objetivo.
Nos últimos anos, Lampe enfrentou equipes brasileiras com frequência na Libertadores pelo Bolívar. Ele brinca que o clube teve azar nos sorteios, sempre cruzando com times do Brasil. Além da campanha das quartas de final em 2023, ele destacou os jogos contra o Flamengo em 2024, tanto na fase de grupos quanto nas oitavas.
O Bolívar tem uma linda equipe, jogamos de igual para igual com Flamengo, Palmeiras, Atlético-MG, Internacional, Athletico-PR, que foram os últimos times com os quais tivemos que jogar. Creio que o jogo que fomos mais difíceis de derrotar foi contra o Flamengo em 2024, afirmou o goleiro.
Ele ainda completou: Se não vinha o Flamengo, vinha o Palmeiras (no sorteio), as duas melhores equipes na atualidade no Brasil. São times com elencos europeus, que se gostam de um jogador na Europa, trazem. Equipes que o objetivo é ser campeão da Libertadores, do Brasileirão. É muito difícil jogar contra eles.
Lampe também não esconde a importância do fator altitude. Ele explica que o Bolívar busca um ritmo acelerado para explorar os mais de 3.600 metros de altitude de La Paz. A verdade é que com o Bolívar levamos vantagem porque somos uma equipe agressiva, que não dá a bola aos rivais e tenta circular muito rápido e controlar a posse. Acho que temos vantagem e fazemos (os adversários) sentirem o efeito da altura, disse.
O goleiro acredita que a vasta experiência no futebol sul-americano pode ser uma vantagem na repescagem. Ele aposta na paixão característica do continente e na presença da torcida boliviana no estádio em Monterrey. No entanto, ele alerta para a força de Suriname e Iraque.
Nós, tirando um jogador, somos todos bolivianos, amamos nosso país, nos criamos, temos toda a nossa família lá. Vivemos o futebol, seguramente, muito diferente, porque na América do Sul você sabe que há muita paixão. Acho que isso nos faz ter uma leve vantagem, comentou Lampe.
Sobre os adversários, ele afirmou: Vejo muito equilíbrio. Porque eles (Suriname) também estão nacionalizando jogadores de primeiro nível, três que jogam em ligas muito boas. Mas no campo vai ser muito duro, vamos ter que lidar com o estresse, a pressão, mas nós estamos acostumados. E se ganharmos, seguramente vai ser ainda mais duro contra o Iraque.
Se passar pela repescagem, a Bolívia poderá contar com Marcelo Moreno. O atacante saiu da aposentadoria e assinou com o Oriente Petrolero, com o objetivo de retornar à seleção para a Copa. Lampe acredita na possibilidade de tê-lo como companheiro. Conheço o Marcelo, eu conheço a disciplina dele como jogador, ele é um jogador histórico da seleção, do nosso país. Acho que eu vejo possibilidade, disse.
O técnico Óscar Villegas é apontado como uma peça fundamental na recuperação da equipe nas Eliminatórias. Após assumir em 2024, ele comandou três vitórias seguidas contra Venezuela, Chile e Colômbia. A vaga na repescagem foi confirmada com novas vitórias sobre Chile e um triunfo histórico sobre o Brasil.
Pudemos ganhar no Chile, em uma Data Fifa que foi muito importante para que pudéssemos acreditar que estávamos na briga, porque ganhamos os dois jogos. Ganhamos da Venezuela e do Chile. E acho que aí voltamos a estar no páreo, avaliou Lampe sobre a mudança com a chegada de Villegas.
O sonho de disputar uma Copa do Mundo como titular da seleção é o que motiva Lampe. Ele quer repetir o feito da equipe de 1994 e se tornar histórico. A única coisa que passa em minha cabeça é fechar uma etapa na seleção jogando um Mundial. Acredito que fazer história de verdade, é isso que passa em minha cabeça, concluiu o goleiro.
