02/06/2026
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Motorista que levou maior sino do mundo agora carrega peça de 43 toneladas

Um carregamento de peças industriais de grande porte chamou a atenção de motoristas que passavam pelo pátio de um posto de gasolina na BR-262, na saída para Três Lagoas, em Campo Grande, nesta segunda-feira (1). As estruturas, provavelmente vasos de pressão fabricados pela Valmet, são destinadas ao projeto da Arauco, em Inocência, e impressionam pelo tamanho.

As peças têm cerca de 6,70 metros de altura, 27 metros de comprimento, 5,80 metros de largura e pesam 43 toneladas. Além da carga fora do comum, o motorista responsável por uma das carretas também tem história para contar.

Devanir Batista Pesotto, de 47 anos, trabalha há 30 anos na profissão e se especializou em transporte de cargas especiais. No currículo, ele participou do transporte do maior sino badalante do mundo, vindo da Polônia até a Região Metropolitana de Goiânia.

“Para mim, eu gosto muito desse ramo de transporte de cargas especiais. Cada dia é um desafio diferente”, contou Devanir, enquanto acompanhava a movimentação das carretas no pátio do posto.

Segundo ele, esta já é a sétima viagem no transporte de equipamentos para o projeto da Arauco. As peças saem de Açaí, no Paraná, e seguem até Inocência, em um percurso de aproximadamente 1.370 quilômetros. Ainda faltam outras três estruturas, que devem ser buscadas em Nova Londrina, também no Paraná, para concluir essa etapa até o meio do mês.

A operação não depende apenas de um motorista experiente. Para uma carga desse tamanho passar pela estrada, há estudo prévio, planejamento de rota, escolta e acompanhamento de equipes especializadas. Devanir explica que a viagem envolve apoio da polícia, batedores, companhias de energia e equipes ligadas à rede de internet, já que a altura e a largura das peças exigem atenção com fios, postes e interferências no caminho.

“Isso foi feito com estudo, viabilização, projeto. Tem companhia de energia, polícia, escolta, companhia de internet. É um conjunto que acaba dando tudo certo no final”, disse.

Na estrada, as carretas rodam em velocidade média de 25 a 40 quilômetros por hora e têm horário determinado para circular. A saída costuma ocorrer por volta das 10h, com deslocamento até cerca de 16h. O comboio desta etapa conta com dez batedores, dez escoltas, duas viaturas e equipes de apoio.

O tamanho da carga também muda a rotina de quem cruza o caminho do comboio. Segundo o motorista, no começo alguns condutores ficam impacientes, tentam passar ou reclamam da lentidão. Depois, com a aproximação das escoltas e da polícia, a maioria entende que não se trata de um transporte comum.

A experiência de Devanir com cargas monumentais ganhou destaque com o transporte do sino vindo da Polônia. A peça foi carregada em Santos e levada até Trindade, em Goiás, em uma viagem de sete dias. O trajeto passou por São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Brasília até chegar ao destino. “Para mim foi entrar na história. É um símbolo da fé católica. Poder transportar isso foi inesquecível”, relembrou.

Devanir conta que o transporte do sino também abriu portas para novos trabalhos da empresa em cargas especiais. Depois dele, vieram serviços para grandes clientes e novos projetos. Agora, a missão é levar estruturas industriais para o interior de Mato Grosso do Sul.

Antes de chegar às cargas gigantes, o motorista trabalhou por anos na roça, foi para São Paulo, tirou habilitação e começou a caminhada no transporte. Para conduzir esse tipo de carga, precisou de formação específica, como curso para cargas especiais, MOPP e direção defensiva. Mesmo depois de três décadas de profissão, ele não fala como quem está cansado da estrada.

“Eu adoro trabalhar. Trabalhei muitos anos na roça, vim para São Paulo, tirei minha habilitação e comecei a caminhada. Estou aí hoje dirigindo essas cargas especiais. Quando Deus preparar, se tiver força, eu vou”, disse.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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