A escalada da disputa entre facções criminosas em Mato Grosso do Sul, com o avanço de integrantes do Comando Vermelho (CV) em cidades da região norte, levou o governo estadual a intensificar a articulação com forças de segurança de estados vizinhos e países da fronteira. A principal preocupação é conter a tentativa de expansão territorial de grupos que usam o Estado como corredor logístico para o tráfico internacional de drogas.
Nesta terça-feira (5), durante a 4ª CIRAJUD 2026 (Conferência de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativo), em Campo Grande, o secretário de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, afirmou que a resposta se baseia na integração entre as polícias, com atenção especial ao Mato Grosso, onde o CV tem forte presença. “Primeiro, com a integração das forças de segurança com o estado do Mato Grosso. Tivemos reuniões com a inteligência da Bolívia e do Paraguai, com as forças de segurança dos estados vizinhos, principalmente em Goiás, Minas, São Paulo e Paraná, para que possamos ter ações ordenadas”, disse.
A declaração ocorre em meio a operações em municípios como Coxim, no norte, e Aparecida do Taboado, no leste, onde a polícia identificou tentativas de avanço do CV sobre áreas dominadas pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), gerando homicídios. Segundo Videira, a preocupação vai além do confronto armado e atinge a estrutura criminosa ligada ao tráfico de drogas, que usa rodovias interestaduais para transportar cocaína e maconha.
Investigações apontam que facções consolidadas no Paraguai e na Bolívia usam Mato Grosso do Sul e Mato Grosso como rotas estratégicas para escoamento de drogas. “Para evitar que essas facções, que atuam no Paraguai e na Bolívia e usam as rodovias, acabem nessa guerra ceifando vidas. O objetivo é coibir, não deixar que se prolifere e que essa guerra cesse”, declarou o secretário.
Em Coxim, a Operação Leviatã cumpriu mandados contra integrantes de organizações criminosas. A investigação mostrou que facções vindas do Mato Grosso tentavam se instalar com aluguel de imóveis, cooptação de criminosos locais e imposição de domínio pela violência. Durante a ação, Fabrício Troch Soares, de 33 anos, conhecido como “Branco do CV”, morreu após reagir armado à abordagem do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros). Ele era apontado como traficante e integrante ativo do grupo.
Em Aparecida do Taboado, a disputa entre CV e PCC se tornou explícita após atentados. A cidade registrou tentativas de execução, homicídios e prisões. Em uma ocorrência, um suspeito afirmou à polícia que “Aparecida do Taboado é do PCC”, em referência à resistência contra o avanço da facção rival.
