24/05/2026
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Prefeitura desapropria áreas para nova via em Campo Grande

A prefeitura de Campo Grande declarou de utilidade pública imóveis localizados nas adjacências do Bairro São Conrado para dar andamento à implantação de infraestrutura urbana das Vias Estruturantes. O decreto foi publicado em edição extra do Diário Oficial e marca a primeira etapa do processo de desapropriação das áreas indicadas.

Assinado pela prefeita Adriane Lopes (PP), o decreto cita imóveis ligados ao desmembramento da Fazenda 07 Paus, ao Serradinho, ao Núcleo Industrial e à Fazenda Palmeira. A declaração de utilidade pública não significa desapropriação imediata, mas autoriza o Município a iniciar os procedimentos necessários para uso das áreas na obra.

Segundo o texto publicado, os imóveis são necessários à implantação de infraestrutura urbana das Vias Estruturantes, nos lotes 8A e 8B. Entre as áreas listadas estão glebas com 96 hectares, 14 hectares, área remanescente de 238 hectares, área verde, rua secundária e lotes registrados no 2º Cartório de Registro de Imóveis.

Questionada pelo Campo Grande News, a Prefeitura informou que a proposta é criar uma nova rota para desafogar o trânsito da Avenida Duque de Caxias e reduzir a circulação de veículos pesados pelas ruas internas dos bairros da região.

Ainda conforme o Município, os lotes compreendem a ligação da Avenida Wilson Paes de Barros ao Anel Rodoviário, na região do Indubrasil. A Prefeitura afirma que o trecho deve contribuir para desviar o tráfego pesado e melhorar a mobilidade na saída para a região da Nova Campo Grande e bairros próximos ao São Conrado.

A administração municipal também explicou que o decreto é apenas uma etapa inicial. Depois da publicação, ainda serão feitos levantamentos, estudos técnicos, definição precisa das áreas eventualmente atingidas e avaliação dos imóveis. Só depois disso será possível apontar, caso a caso, eventuais valores indenizatórios e a forma de composição com os proprietários.

Essa negociação poderá ocorrer por indenização financeira, compensação urbanística ou outro meio previsto em lei. Por enquanto, ainda não há valores definidos porque as informações dependem da conclusão das etapas administrativas posteriores ao decreto.

Parte da obra já mudou a rotina de quem passa pelo fundo do São Conrado. Moradores e comerciantes ouvidos pela reportagem dizem que o asfalto encurtou caminhos, aumentou o movimento e melhorou o acesso para quem segue em direção à Nova Campo Grande. Ao mesmo tempo, cobram iluminação, policiamento e medidas para reduzir a velocidade.

O comerciante Virley Alvarenga, 51 anos, afirma que a nova via melhorou o fluxo, mas também trouxe preocupação. Segundo ele, o trecho tem sido usado como rota de fuga por criminosos. “Essa avenida acabou virando um corredor para criminosos. Ontem mesmo, por volta das 14h, roubaram a moto da farmácia aqui”, contou.

Virley disse que estava no comércio quando o crime aconteceu. “Eu estava no local, entrei um instante para guardar um balde e, quando voltei para pegar um medicamento para um cliente, o homem já tinha levado a moto. Ele atravessou correndo, conseguiu destravar e fugiu”, relatou.

Para o comerciante, a falta de policiamento pesa na sensação de insegurança. “Se tivesse mais presença policial, principalmente por causa das pessoas que passam aqui para correr e fazer exercícios, ajudaria bastante”, afirmou. Ele também reclama da escuridão. “Esse trecho é muito escuro. Tem muito mato e, mesmo depois de uma limpeza, continua perigoso. Duas quadras para frente já fica um breu, sem comércio, sem casas e sem movimento.”

Uma comerciante de 46 anos, que preferiu não se identificar, lembra que a realidade era pior antes do asfalto. Segundo ela, a região era marcada por abandono, descarte irregular de lixo, pneus e veículos. “Melhorou bastante depois que terminaram essa parte da obra. Aqui era tudo estrada de chão e tinha muito descarte de carros e motos”, disse.

Ela afirma que a pavimentação aumentou o movimento e ajudou o comércio. “Depois que asfaltaram, o fluxo melhorou muito porque antes o pessoal fazia outro caminho e agora passa mais por aqui. Comercialmente também melhorou bastante, porque o asfalto acaba atraindo mais pessoas”, avaliou.

A comerciante conta que, antes da obra, havia água acumulada e presença constante de animais. “Antes era uma região bem abandonada. Tinha água acumulada, aparecia sapo, cobra e vários animais. Já vimos tatu andando por aqui e até uma cutia entrou na farmácia esses tempos”, relatou.

Moradora do São Conrado, a confeiteira Cristiane Regis, 43 anos, também vê melhora no acesso. Ela diz que não usa o trecho todos os dias, mas percebeu aumento no movimento. “Com asfalto sempre melhora, né? É uma mudança muito grande. Eu não trafego com frequência por aqui, mas dá para perceber que ficou bem movimentado”, afirmou.

Para Cristiane, a ligação facilitou principalmente a vida de quem precisa se deslocar entre o São Conrado e a Nova Campo Grande. “Para quem sai daqui ou vem sentido Nova Campo Grande, melhorou bastante porque diminuiu muito o caminho. Antes precisava fazer uma volta grande, passando pelo aeroporto, e agora ficou muito mais fácil”, disse. Apesar disso, ela cobra ajustes. “Ainda precisa de algumas melhorias, como iluminação e redutores de velocidade. É uma via muito rápida, então precisa ter mais segurança.”

Quem sentiu a diferença no relógio foi Mauri Simões, 57 anos, que vende sonhos no início da avenida, na parte do São Conrado. Morador da Popular, ele diz que usa o caminho todos os dias. “Agora levo cerca de 10 minutos para fazer o trajeto. Essa avenida ficou boa demais, foi a melhor coisa que fizeram nesse trecho aqui”, afirmou.

Antes, segundo Mauri, o mesmo deslocamento levava cerca de meia hora. “Quando eu vinha pelo caminho de trás, eu gastava uns 30 minutos para chegar. Hoje não tem nem comparação, melhorou muito. Com a avenida nova, o movimento também aumentou bastante por aqui. Ficou tudo bom”, completou.

O fiscal de condomínio Wagner Batista, 43 anos, passava de bicicleta pelo trecho com a esposa quando conversou com a reportagem. Ele conta que já usava o caminho antes da pavimentação e lembra que a antiga estrada de terra era difícil, principalmente em dias de chuva. “Eu já percorria esse trecho antes do asfalto. Melhorou bastante e agora o percurso ficou muito mais rápido. Antes era uma estrada bem rústica, de terra mesmo, bem bruta”, disse.

Wagner também afirma que a região, antes mais isolada, era usada para práticas ilícitas e descarte irregular. “Muita gente usava aqui como ponto de desova e aconteciam várias coisas ilícitas na região”, relatou. Com a obra, o tempo de deslocamento caiu. “Antes, principalmente quando chovia, eu gastava cerca de 30 minutos nesse trecho. Agora faço em uns 10 minutinhos até a entrada.”

Apesar da melhora, ele ainda vê risco para quem usa bicicleta. “Sobre a ciclovia, eu ainda não tinha reparado nela, vi hoje quando passei por aqui. Por enquanto está dando para passar, mas ainda acho perigoso”, termina.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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