O paraesporte de Mato Grosso do Sul passou a contar oficialmente com uma nova modalidade nesta segunda-feira (18), com o lançamento da Escola de Paraciclismo de Mato Grosso do Sul, instalada na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). O projeto reúne a universidade, a Fundesporte e o CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro) e prevê a entrega de 15 bicicletas adaptadas nos próximos três meses, além do início das atividades de formação e treinamento de atletas no campus universitário.
A cerimônia ocorreu no auditório da Reitoria da UFMS e contou com a presença de autoridades, representantes do movimento paralímpico e da primeira-dama Mônica Riedel, que será madrinha do projeto ao lado da ciclista Meire Alcântara. Durante o evento, foi formalizada a assinatura do termo de cooperação que viabiliza o início das atividades.
O projeto nasce com foco na inclusão social, formação esportiva e desenvolvimento de novos atletas do paraciclismo, modalidade considerada estratégica dentro do movimento paralímpico brasileiro. Nos próximos três meses, a estrutura inicial será ampliada com a entrega de pelo menos 15 bicicletas adaptadas, divididas entre diferentes tipos de deficiência e modalidades do esporte.
Entre os equipamentos previstos estão triciclos, handbikes (bicicletas impulsionadas com as mãos) e tandems, modelo de dois lugares em que o guia ocupa a posição da frente e o paratleta pedala atrás. Além das bicicletas, os participantes também receberão equipamentos de segurança, como capacetes e luvas.
A proposta não prevê, neste momento, a criação de um espaço físico exclusivo. As atividades serão desenvolvidas dentro da estrutura já existente da UFMS, com apoio dos cursos da área da saúde e do esporte, envolvendo professores, acadêmicos de Educação Física e equipes de nutrição e fisioterapia.
Segundo a reitora da UFMS, Camila Ítavo, a universidade já mantinha atividades voltadas ao paradesporto antes da oficialização do núcleo, o que ajudou a credenciar a instituição para receber o projeto. Ela destacou que a universidade já desenvolvia treinamentos, pesquisas e atividades de extensão voltados ao esporte adaptado, utilizando o próprio campus como espaço de prática. Agora, a chegada dos equipamentos específicos amplia a estrutura disponível.
Representando a Fundesporte, Paulo Ricardo classificou a implantação da escola como um marco para a política de inclusão do Estado. Ele destacou ainda que o projeto tem objetivos de longo prazo e poderá contribuir futuramente para a formação de atletas de alto rendimento. Atualmente, o Estado já possui atletas contemplados por bolsas voltadas ao paradesporto. Segundo Paulo Ricardo, mais de 50 esportistas participam hoje dos programas de incentivo, que também atendem treinadores.
O potencial da nova escola também foi ressaltado pelo coordenador de paraciclismo e representante do presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Edilson Rocha, que apontou a importância estratégica da modalidade. Segundo ele, o paraciclismo é a terceira modalidade que mais distribui medalhas nos Jogos Paralímpicos, com 153 medalhas no total e 51 ouros. Edilson também destacou que Mato Grosso do Sul já possui tradição na formação de atletas do paraesporte, sobretudo na bocha e no futebol de precisão.
Entre os jovens que acompanharam o lançamento estava o paratleta de judô Gabriel Ferreira, de 18 anos, estudante da UFMS e entusiasta do ciclismo. Gabriel disse ainda que pretende participar das atividades da escola caso tenha oportunidade. Com a assinatura do acordo e o início da implantação da estrutura, a expectativa é que a Escola de Paraciclismo passe a integrar a rede de formação esportiva do Estado, ampliando o acesso ao esporte adaptado e criando novas oportunidades para pessoas com deficiência em Mato Grosso do Sul.
