10/05/2026
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Agro eleva tom e faz da dívida rural o principal recado ao governo

A 60ª edição da Expoagro, em Dourados, tornou-se um palco de pressão política e econômica do agronegócio neste sábado (9). O tema central dos discursos de lideranças do setor foi o endividamento rural, tratado como uma ameaça à continuidade da atividade no campo.

O presidente do Sindicato Rural de Dourados, Gino Ferreira, fez um dos discursos mais duros do evento. Ele afirmou que o campo vive um cenário oposto ao comemorado pelo governo federal. “Enquanto o governo federal comemora safra recorde o produtor vive um dos momentos mais difíceis, devendo para bancos, empresas e cooperativas. Se continuar assim não vai mais haver produção e essa terra estará nas mãos de um sistema ganancioso”, declarou.

Gino também criticou os conflitos fundiários envolvendo áreas indígenas em Mato Grosso do Sul. Sem citar instituições, afirmou que produtores rurais convivem com insegurança, furto de gado e desrespeito a títulos de propriedade. Segundo ele, “transformaram metade de Mato Grosso do Sul em terra indígena”. Disse ainda que a situação só não é pior por causa da atuação das forças de segurança estaduais.

A senadora Tereza Cristina (PP) concentrou o discurso na crise financeira do agro e classificou o momento como uma “tempestade perfeita”. Ela citou juros elevados, queda no preço das commodities, falta de seguro rural, aumento no custo dos insumos e impactos das guerras internacionais sobre fertilizantes e defensivos agrícolas. “Nós temos juros que não cabem no bolso de quem produz”, afirmou.

A senadora alertou para o crescimento das recuperações judiciais no campo e disse que produtores estão perdendo propriedades. Segundo ela, o problema pode chegar ao consumidor por meio da inflação dos alimentos. “Hoje são 170 bilhões para rolar essa dívida”, disse. Tereza defendeu a criação de um fundo garantidor para ajudar produtores e afirmou que o governo federal não teria recursos para resolver o problema sozinho. Ela criticou o baixo alcance do seguro rural e disse que o orçamento atual está distante da necessidade do setor. “Precisamos no mínimo de 6 bilhões para fazer rodar o seguro rural”, afirmou.

A senadora mencionou ainda problemas ligados ao licenciamento ambiental, custos logísticos e dependência brasileira de fertilizantes importados. Segundo ela, conflitos internacionais afetam diretamente o custo de produção no campo brasileiro.

O governador Eduardo Riedel (PP) também reconheceu as dificuldades econômicas do setor agrícola e comparou o cenário atual a crises do fim da década de 1990. “O setor agrícola passa por dificuldade. Talvez das maiores que a gente já viu”, afirmou. Riedel atribuiu parte da crise ao cenário macroeconômico nacional e criticou os juros elevados. Segundo ele, taxas entre 15% e 18% inviabilizam investimentos e ampliam o endividamento. “Não tem como com juro de 15, 17, 18% ao ano qualquer negócio prosperar”, declarou.

O governador afirmou que a solução depende de articulação entre Congresso Nacional e Governo Federal. Sem citar o presidente, criticou políticas de estímulo ao gasto público e disse que isso pressiona inflação e juros. Riedel também respondeu às críticas envolvendo áreas indígenas e defendeu separar ações criminosas de demandas sociais das comunidades. “As comunidades indígenas merecem respeito, merecem água, merecem pavimento na aldeia, merecem habitação”, disse. Ao mesmo tempo, afirmou que invasões e práticas ilegais não podem ser toleradas. “Elas não podem e não devem exercer algo que infringe o direito alheio e a liberdade de produzir nesse país”, finalizou.

A Expoagro segue até o dia 17 de maio no Parque de Exposições João Humberto de Andrade Carvalho, em Dourados.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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