30/05/2026
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Após morte de maquiadora, CFM proíbe uso de PMMA em todo o Brasil

O Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu o uso de PMMA (Polimetilmetacrilato) como substância preenchedora em procedimentos estéticos e reparadores em todo o Brasil. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (29), três dias depois da morte da maquiadora sul-mato-grossense Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, moradora de Jardim, que passou mal após realizar aplicação do produto em uma clínica de São Paulo (SP). A medida entra em vigor na próxima terça-feira (2).

A única exceção prevista pela nova norma vale para pacientes com HIV/Aids que necessitam de tratamento para lipodistrofia, condição caracterizada pela perda anormal de gordura corporal. Nesses casos, o procedimento deverá ocorrer em unidades de alta complexidade credenciadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e seguir protocolos definidos pelo Ministério da Saúde.

A proibição consta na Resolução nº 2.461/2026, que será publicada no Diário Oficial da União. O texto impede médicos de utilizarem o PMMA tanto para fins estéticos quanto para procedimentos reparadores.

O anúncio ocorreu em meio à repercussão da morte de Roseli. A maquiadora viajou de Mato Grosso do Sul para São Paulo para realizar um procedimento estético nos glúteos e na parte posterior das coxas. Segundo informações divulgadas pela imprensa paulista, ela teria pago cerca de R$ 50 mil pela intervenção.

Roseli passou pelo procedimento na segunda-feira (25) em uma clínica localizada no bairro Brooklin, zona sul da capital paulista. No dia seguinte, começou a sentir dores intensas, falta de ar, mal-estar e aceleração cardíaca. Durante o deslocamento de volta à clínica, perdeu a consciência dentro de um carro de aplicativo.

Imagens de câmeras de segurança mostram a paciente chegando desacordada ao edifício onde funciona o consultório médico. Equipes tentaram reanimá-la ainda no local, mas ela não resistiu. A morte foi confirmada na manhã de terça-feira (26). O caso é investigado pela Polícia Civil de São Paulo, que aguarda laudos do IML (Instituto Médico Legal).

Um dia após a morte, familiares da maquiadora cobraram responsabilização dos envolvidos. Em vídeo divulgado à imprensa, o filho da vítima, Emerson Vieira Júnior, afirmou que espera esclarecimentos sobre o caso e pediu justiça.

Roseli não foi a única vítima associada ao uso do PMMA. Em 2024, a influenciadora digital Aline Ferreira morreu após realizar preenchimento nos glúteos com a substância. Em janeiro de 2025, Adriana Barros Lima Laurentino, de 46 anos, também morreu horas depois de passar por procedimento semelhante em uma clínica do Recife (PE). O caso levou à abertura de investigação criminal e resultou na prisão preventiva do médico responsável.

O PMMA é formado por microesferas sintéticas suspensas em gel e funciona como um preenchedor permanente. Especialistas apontam que o material pode provocar infecções, embolias, inflamações crônicas, deformações permanentes e até morte. Como permanece no organismo, a retirada do produto costuma ser complexa e, em muitos casos, exige novas cirurgias.

O presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, afirmou em nota à imprensa que a medicina dispõe atualmente de alternativas consideradas mais seguras. Segundo ele, estudos e relatos acumulados ao longo dos anos demonstraram que os riscos do PMMA superam seus possíveis benefícios. A decisão do conselho vale apenas para médicos. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ainda não proibiu a comercialização do produto, embora mantenha restrições para sua utilização.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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