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Fogo no Pantanal recoloca arara-azul na lista de vulneráveis

Por Ede Notícias · · 2 min de leitura
Fogo no Pantanal recoloca arara-azul na lista de vulneráveis
Araras- azuis em galho de árvore (Foto: Instituto Arara- Azul)

A arara-azul-grande voltou a integrar a lista nacional de espécies ameaçadas de extinção, na categoria Vulnerável (VU), após os impactos dos grandes incêndios no Pantanal. A nova lista foi divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e publicada no Diário Oficial da União. A ave é reconhecida como símbolo de Mato Grosso do Sul pela Lei Estadual nº 6.442, de 2025.

Para a bióloga Neiva Guedes, fundadora e presidente do Instituto Arara Azul, os incêndios no Pantanal foram determinantes para a mudança. Ela explica que a espécie depende de poucos recursos naturais para sobreviver. A alimentação das araras é concentrada em duas espécies de palmeiras, e a reprodução depende de árvores específicas para a construção de ninhos.

Segundo a pesquisadora, o fogo queima ninhos, ovos e filhotes, destruindo o habitat da arara-azul. As queimadas também alteram as relações ecológicas do ambiente, o que favorece a ação de predadores que antes não representavam uma ameaça. Neiva Guedes destaca que, por ser uma espécie altamente especializada, a arara-azul sofre os efeitos do fogo durante o incêndio e por muitos anos depois.

O Instituto Arara Azul monitora a espécie no Pantanal Sul desde 1990. O trabalho inclui a identificação e o cadastramento de ninhos naturais e artificiais, além do acompanhamento de ovos e filhotes durante todo o ciclo reprodutivo. Os dados coletados mostram que os incêndios dos últimos anos reduziram o número de casais reprodutivos e comprometeram o sucesso reprodutivo da população.

“Observamos uma grande diminuição do número de casais se reproduzindo e, consequentemente, do sucesso reprodutivo por conta dos grandes incêndios”, afirmou Neiva.

Além das perdas de ninhos e filhotes, a pesquisadora relata que o fogo tem afetado a saúde das aves. Entre os problemas estão lesões de pele, baixo desenvolvimento dos filhotes e aumento de casos de nanismo. Antes dos incêndios recentes, cerca de 7% das araras monitoradas apresentavam essa condição. Após os grandes eventos de fogo, o problema passou a ser registrado com mais frequência.

A arara-azul havia deixado a lista nacional de espécies ameaçadas em 2014, resultado de décadas de trabalho de conservação. As ações incluíram a instalação de ninhos artificiais, o manejo de ninhos naturais e a ampliação das áreas monitoradas. Essas medidas ajudaram a aumentar a população da espécie no Pantanal e a expandi-la para áreas de Cerrado próximas.

“Nós conseguimos melhorar o sucesso reprodutivo e aumentar o número de araras na natureza. Porém, os grandes incêndios afetam fortemente uma espécie extremamente especializada e dependente do habitat. Por isso ela volta para essa lista”, afirmou Neiva Guedes.

Para a bióloga, o retorno da arara-azul à lista reforça a necessidade de investimentos contínuos em conservação, pesquisa e monitoramento. A classificação também pode ajudar a fortalecer políticas públicas e os planos de manejo coordenados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

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