PF mira brasileiros sancionados pelos EUA
Dois brasileiros sancionados pelos Estados Unidos nesta semana por suspeita de envolvimento com o PCC foram alvos de mandados de prisão da Polícia Federal. A ação ocorreu nesta sexta-feira (3).
Victor Shimada
Victor Henrique de Oliveira Shimada seria o responsável por lavar mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos em diversas cidades dos EUA. De acordo com as autoridades americanas, ele utilizava criptomoedas para transferir o dinheiro lavado de volta ao Brasil, para o PCC.
Alvo de mandados de busca e apreensão e de prisão, Shimada não foi encontrado e é considerado foragido. A defesa dele afirmou que ainda não dispõe de acesso às decisões judiciais nem aos elementos que fundamentaram a operação. "Nesse contexto, qualquer manifestação sobre os fatos ou sobre o objeto da investigação seria precipitada", afirma o advogado Yuri Cruz.
As empresas de Shimada e o nome dele já eram conhecidos pelos investigadores brasileiros há ao menos dois anos. Eles estariam envolvidos na fraude contra os cofres do Corinthians, em conexão com a patrocinadora Vai de Bet. O caso foi revelado pelo colunista do UOL Juca Kfouri e é citado pelo Tesouro dos EUA na decisão de sancioná-lo.
De acordo com as investigações, o dinheiro lavado pelas empresas dele teve como destino uma empresa de gestão de carreira de atletas suspeita de ligações com o PCC. Essa empresa foi mencionada na delação de Vinícius Gritzbach, delator que lavava recursos para a facção e foi morto em 2024 ao desembarcar de um voo no Aeroporto de Guarulhos.
Stella de Oliveira
Presa, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira é parente de Shimada, segundo o Tesouro dos EUA. A mulher trabalhava como secretária dele. Ela atuava, segundo as investigações da PF, com a coleta e a logística do dinheiro do tráfico. Stella teria ajudado Shimada a movimentar recursos com empresas usadas para ocultar a origem de dinheiro proveniente de atividades criminosas. A mulher não tinha antecedentes criminais.
Brasileiros sancionados
Stella e Shimada foram sancionados pelos Estados Unidos por supostos vínculos com o PCC. O anúncio foi feito pelo Departamento do Tesouro dos EUA pouco mais de um mês após o PCC e o CV serem listados como organizações terroristas pelo país. Com a sanção, todos os bens deles nos EUA foram bloqueados. Qualquer pessoa ou empresa que esteja nos EUA e tente fazer negócios com os brasileiros também pode ser sancionada.
Empresas ligadas a Shimada também foram alvos de sanções do governo Trump. São elas: Victory Trading Intermediação De Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda, Wave Construções Inteligentes Ltda e Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda (em Portugal).
Os EUA teriam chegado aos dois brasileiros após prisões feitas pelo FBI na Flórida em janeiro. Segundo as autoridades americanas, esses seis alvos eram suspeitos de terem conexões com lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas do PCC.
Operação Exchange
A operação deflagrada cumpre 13 mandados de busca e apreensão e outros 11 de prisão temporária. A Justiça também ordenou o sequestro de bens e valores de até R$ 10 bilhões. Os mandados são cumpridos em São Paulo, Praia Grande (SP) e Santana de Parnaíba (SP). O grupo usava um sistema estruturado para movimentar recursos, segundo a PF. O dinheiro era lavado com a transferência de criptoativos, transporte de valores e operações bancárias de alto valor.