Aeroporto Santa Maria só para voos visuais; neblina vira alvo de investigação

O Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande, é classificado apenas para operações de voo visual (VFR). Essa informação consta no Rotaer, publicação oficial do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). A classificação do aeródromo passou a ser debatida por profissionais da aviação após a queda de um avião que matou o piloto Henrique Martins e a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff na manhã desta sexta-feira (3).
Em voos visuais, o piloto precisa manter referências visuais do terreno e do horizonte. Já os voos por instrumentos (IFR) permitem operar com visibilidade reduzida, usando equipamentos de navegação. O Aeroporto Santa Maria não possui procedimentos IFR publicados.
Pilotos ouvidos pela reportagem afirmam que, sem esses procedimentos, a decisão de voar em condições meteorológicas ruins depende da avaliação de cada comandante. "A decisão acaba sendo muito individual", disse um profissional que acompanha a ocorrência e pediu anonimato.
As condições do tempo na manhã do acidente devem ser investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Campo Grande amanheceu com nevoeiro, garoa e sensação térmica de 7,6°C. O nevoeiro foi registrado na região onde fica o aeroporto.
O voo que caiu deveria ter decolado às 5h, mas foi adiado por causa do tempo. A aeronave decolou por volta das 6h20 e caiu em uma área de mata perto do Condomínio Atlântico. Apesar de o aeródromo ser para voos visuais, a aeronave acidentada tinha autorização para voos IFR, segundo o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) da Anac.
A administração do aeroporto informou que as informações operacionais da pista estão nas publicações oficiais. As causas do acidente serão apuradas pelo Cenipa.
Reforma anunciada neste ano
A discussão sobre o aeroporto ocorre meses após o anúncio de investimento para modernização. Em fevereiro, a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) homologou licitação para obras de recuperação e ampliação, ao custo de R$ 45,7 milhões.
O projeto inclui a recuperação e ampliação da pista de pouso, do pátio de aeronaves e das áreas de taxiamento. Também está prevista a implantação de guarita e recepção para passageiros. O governo estadual informou que a obra faz parte do plano aeroviário de Mato Grosso do Sul.


