20/05/2026
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Paraguai alerta para risco grave em peptídeos e anabolizantes ilegais

O governo do Paraguai emitiu um alerta sanitário sobre a venda irregular de medicamentos à base de peptídeos e análogos hormonais, conhecidos como anabolizantes, na fronteira com o Brasil. A Dinavisa (Direção Nacional de Vigilância Sanitária) classificou a situação como de “risco grave” à saúde pública e determinou a suspensão imediata do uso desses produtos, que são usados para emagrecimento, ganho de massa muscular e melhora da performance física.

Segundo o órgão paraguaio, os medicamentos não possuem registro sanitário no país. Os fabricantes declarados também não estão autorizados a produzir, importar ou distribuir os itens. Entre as marcas citadas estão USA Peptides, Biogenesis, Synedica – Alluvi Healthcare, Oxigen e Veltrane.

O alerta foi divulgado após a identificação da venda dos produtos na região de fronteira com Mato Grosso do Sul, área conhecida pela circulação de brasileiros em busca de medicamentos e suplementos. Na lista de irregulares da Dinavisa estão itens como GLOW GHK-CU (Karytirzefit), CJC 1295 Without DAC + Ipamorelin, SS-31, Ipamorelin, TB-500, PT-141, Retatrutide Injection, Retagen 40 MG e Veltrane Gold – Retatrutide. Eles são vendidos como solução injetável, pó para injeções e canetas aplicadoras.

Um dos produtos, o Veltrane Gold – Retatrutide, traz na embalagem a inscrição “produced in Belgium”. A Dinavisa afirma que isso é uma estratégia comercial enganosa para dar uma falsa imagem de qualidade, já que a produção é clandestina. No comunicado, a autoridade sanitária diz que não é possível garantir a “composição, qualidade, segurança e eficácia” dos itens. Há risco de substâncias não declaradas, concentrações incorretas e efeitos adversos graves, inclusive com ameaça à vida dos consumidores.

A orientação da Dinavisa é para que a população não compre medicamentos sem registro sanitário, principalmente os vendidos em redes sociais e plataformas de comércio eletrônico. O órgão também recomenda que os consumidores interrompam imediatamente o uso dos produtos citados. A legislação paraguaia proíbe a comercialização de produtos falsificados, vencidos ou sem autorização sanitária.

Fiscalização em Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, a Vigilância Sanitária intensificou a fiscalização. No dia 20 de abril, apreensões de medicamentos para emagrecimento enviados pelos Correios, muitos vindos do Paraguai, já somavam uma tonelada. Ampolas de emagrecedores, anabolizantes e peptídeos são enviadas para todo o país escondidas em bonecas, sanduicheiras, air fryers, garrafas térmicas, livros e frascos de creme para cabelo.

O gerente do Sistema Estadual de Vigilância Sanitária, Matheus Pirolo, afirma que os produtos são vendidos pela internet com “disfarce” de legais. “Negociam no Mercado Livre com produtos fakes, em códigos. As redes sociais sabem quando o medicamento é irregular e punem o anunciante. Então, usam códigos para anunciar e faturar sobre produto ‘lícito’”, explica. A Vigilância também monitora os despachos feitos por transportadoras.

Os números de apreensões subiram em relação a abril. “Já foram 26.031 itens recolhidos até a presente data, nos Correios, e medicamentos emagrecedores, anabolizantes e produtos fumígenos”, completa Matheus. A Dinavisa está cooperando para enfrentar os produtos irregulares em ambos os países, como a retatrutida e a tirzepatida falsificada.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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