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Avós com menos liberdade: nova criação de netos

Por Ede Notícias · · 2 min de leitura
Avós com menos liberdade: nova criação de netos
João Bosco é avô e fala sobre a relação com os netos (Foto: Juliano Almeida)

Uma pesquisa com leitores do portal Lado B mostrou que 66% acreditam que os avós de hoje têm menos liberdade com os netos do que tiveram ao criar os próprios filhos. A mudança na forma de educar fez com que muitos avós passassem a ocupar um novo papel na família: participam da criação, mas respeitam as regras estabelecidas pelos pais.

Antigamente, era comum ouvir que "na casa da avó pode tudo". Os avós ofereciam doces escondidos, deixavam os netos brincar até anoitecer, subir em árvores e andar de bicicleta sem tanta preocupação. Hoje, essa imagem ainda existe, mas divide espaço com uma nova realidade. Rotina organizada, alimentação controlada, limite para telas e mais atenção à segurança fizeram com que muitos avós precisassem se adaptar às regras dos próprios filhos.

A funcionária pública Solidea Leide, de 63 anos, vive uma realidade diferente. A filha mora com ela e nunca colocou limites para sua participação na criação dos netos. A casa virou ponto de encontro da família e dos amigos das crianças. Piscina, videogame, brincadeiras e um quintal sempre cheio fazem parte da rotina. "Na minha casa pode tudo", resume Solidea. Para ela, é melhor ver os netos reunidos em casa do que procurando diversão na rua sem supervisão.

O professor João Bosco, de 69 anos, convive diariamente com os netos de 10 e 12 anos. Como a filha mora com ele, participa da rotina e ajuda na educação das crianças. Ele leva para a escola, busca nas atividades e acompanha passeios. Mesmo com essa proximidade, faz questão de deixar claro que existe um limite. "A palavra final é da minha filha", afirma. Se ela determina que o chocolate será apenas no fim de semana, a regra é seguida. João diz que nunca encarou isso como perda de espaço.

Para a assistente social Inah Yule, de 59 anos, a maior diferença entre a infância de antigamente e a atual está no uso de telas. Ela cresceu em uma época em que as crianças passavam boa parte do dia na rua, conversavam mais e respeitavam horários rígidos. Hoje, observa que os netos só ficam no celular. "Não conversam com a gente", lamenta. Inah procura orientar, mas reconhece que as decisões pertencem aos pais. "A palavra é da mãe", completa. Ela sente falta de hábitos que ajudavam a construir autonomia e responsabilidade.

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