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Creas sobrecarregados expõem risco na proteção em Campo Grande

Por Ede Notícias · · 3 min de leitura
Creas sobrecarregados expõem risco na proteção em Campo Grande
Fachada do Creas Sul, unidade que atende a região mais populosa de Campo Grande (Foto: Cassia Modena)

Uma denúncia encaminhada ao Campo Grande News nesta quinta-feira (13) aponta que os Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) são a parte mais sobrecarregada da rede de proteção social na Capital, mesmo sendo considerados centrais nesse sistema. Segundo o relato de uma servidora que preferiu não se identificar, as equipes trabalham, mas não conseguem atender todas as situações no tempo necessário. Ela alerta que, em casos de violência contra crianças, a demora faz diferença.

Os relatórios produzidos por assistentes sociais e psicólogos dos Creas, que são fundamentais para entender cada caso, estão levando até um ano para serem concluídos. Esses documentos são elaborados após visitas domiciliares a famílias ou pessoas em situação de risco, geralmente por solicitação dos Conselhos Tutelares, CRAS (Centro de Referência em Assistência Social) ou por ordem judicial. A maior parte dos casos acompanhados atualmente envolve violência contra crianças, adolescentes, mulheres, idosos e outros membros da família.

O Creas Sul, localizado no Aero Rancho, é o que atende a região mais populosa do município, além do distrito de Anhanduí. A unidade conta com nove equipes de visitas, mas apenas quatro estão completas. Em cinco delas faltam psicólogos. A unidade também dispõe de apenas um veículo oficial fixo, com outro carro enviado ao local para reforçar os deslocamentos em dois ou três dias da semana. Além das visitas externas, as equipes precisam permanecer no prédio para redigir os relatórios, que são indispensáveis para a tomada de medidas emergenciais.

O prédio do Creas Sul também apresenta problemas estruturais. Uma reforma prometida desde 2020 ainda não foi realizada. O forro solto no teto deu lugar a ninhos de pombos e o elevador está quebrado, o que compromete a acessibilidade. No anexo, o Conselho Tutelar compartilha a necessidade de intervenção, com estruturas metálicas pontiagudas no corredor de entrada, representando perigo para as crianças que frequentam o local.

A situação é agravada pela redução do horário de expediente nas repartições públicas municipais, medida adotada pela prefeitura para cortar gastos. O Creas Sul funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 13h, totalizando seis horas de atendimento diário. Atualmente, Campo Grande conta com apenas três unidades dos Creas, distribuídas nos bairros Aero Rancho, Monte Castelo e Amambaí, enquanto o número de Conselhos Tutelares foi ampliado de cinco para oito após a morte de Sophia e cobranças do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

Procurada, a assessoria de imprensa da prefeitura de Campo Grande informou que acompanha de forma contínua a demanda apresentada pelos Creas e realiza monitoramento sistemático dos atendimentos e encaminhamentos recebidos. Sobre a ampliação do número de unidades, o município afirmou que avalia permanentemente a necessidade e que eventuais ampliações integram o planejamento da política de assistência social. Em relação à falta de servidores, a SAS (Secretaria de Assistência Social) declarou que acompanha a relação entre demanda e capacidade operacional dos serviços.

A prefeitura também afirmou que foram adotadas estratégias específicas nos Creas para reorganizar as agendas, ampliar o agendamento, planejar as visitas domiciliares e otimizar os deslocamentos, com o objetivo de garantir que a redução do horário administrativo não resulte em descontinuidade do acompanhamento das famílias. A gestão municipal pontuou que as unidades contam com veículos para atividades externas e que a utilização é organizada conforme o planejamento das equipes e a priorização das demandas.

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