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Forró lota bares e conquista seu espaço na noite

Por Ede Notícias · · 3 min de leitura
Forró lota bares e conquista seu espaço na noite
Nada de sertanejo: forró também lota bar e vira ritmo queridinho (Foto: Josi Grenge)

O forró tem lotado bares e conquistado espaço entre os ritmos preferidos do público. Em uma cidade onde o sertanejo universitário domina a programação noturna, o ritmo mostra que tem fôlego para movimentar a noite durante o ano inteiro. Com público fiel, bandas ao vivo, aulas de dança e um ambiente que reúne diferentes gerações, o forró transforma os bares em pontos de encontro.

Wilson Júnior, conhecido como Zazumba, acompanha essa cena há anos. Segundo ele, sempre há um forró acontecendo e o público se mantém presente. “Temos um forró desde 2006. Ficamos um tempo afastados e, há 4 anos, estamos com o Ipê de Cerra. Tem um público bem cativo, os eventos são constantes e o ano inteiro tem”, conta.

Não é preciso dominar os passos para entrar na pista. Para Wilson, alguns ritmos são mais convidativos para quem está começando. O xote, por exemplo, permite arriscar os primeiros passos com mais tranquilidade. Já o baião é mais agitado e costuma aparecer quando a pessoa ganha intimidade com o ritmo.

A possibilidade de aprender enquanto se diverte chama a atenção de quem frequenta os bailes. A professora Luisa reserva as sextas-feiras para o forró. “Toda sexta estou no forró. Não perco. Aqui o espaço é bom, tem sempre banda boa. É uma vibe muito familiar, pessoal tranquilo. Dá para dançar, trazer a família, as crianças”, afirma.

Um dos movimentos que ajudam a ampliar essa cena é o Movimentaê, projeto cultural criado para fomentar a dança e o forró por meio de eventos, produção de conteúdo e audiovisual. Em parceria com o Treze Bar, o grupo promove programação todas as sextas-feiras e busca aproximar novos públicos da cultura forrozeira.

Lucas Renan, integrante do projeto, explica que a parceria permitiu criar uma identidade própria para os eventos. “Matheus abriu a casa para a gente e deu liberdade para construir a identidade visual. A gente está fazendo a cena crescer, o movimento furar as bolhas e o pessoal conhecer o forró”.

Toda semana, uma média de 200 pessoas confirmam presença no evento de sexta-feira. A proposta também é derrubar uma barreira comum para quem quer conhecer um baile, mas não tem companhia. Segundo Lucas, ninguém precisa chegar acompanhado. “Aqui pode chegar sozinho. O pessoal vai te chamar para dançar. Não é obrigatório aceitar.”

Ao longo do mês, as noites contam com bandas de forró ao vivo. Na última sexta-feira de cada mês, a programação muda. Nesse dia tem DJ, aulão de forró e intervalo com FitDance. Datas especiais ganham programação ampliada. Em 5 de setembro, a previsão é de mais de 10 horas dedicadas ao forró.

Felipe Flores, médico e produtor musical, explica que o sertanejo ainda é um dos fortes do espaço, mas a chegada do forró trouxe uma proposta diferente. “Aqui não tem tanta reclamação de pouco homem para dançar. Temos uma parceria com espaço de dança onde as mulheres são condutoras, então não fica preso nisso, mulheres chamam outras mulheres. Não é obrigatório dançar mas quem quer dá sempre um jeito”.

Para Matheus Manzano, dono do Treze Bar, receber o projeto combina com a diversidade da casa. “Aqui é underground, é para todos”, resume. O espaço já recebeu de basquete a “globo da morte”, além de eventos de rap e outros estilos. Agora, o forró também encontrou seu lugar e, segundo ele, está “bombando”. “O forró é sensacional, o público é incrível e a energia é igual ou melhor que a do pagode”, afirma.

Nas noites do Movimentaê, o baile segue até meia-noite. Depois, o bar continua com sua programação habitual e outros estilos musicais. Mais do que uma alternativa ao sertanejo, o crescimento desses eventos mostra que o forró vem construindo uma cena própria, com frequentadores assíduos e espaço para quem nunca dançou. Entre xotes, baiões e muitos convites para entrar na pista, o ritmo cria um ambiente confortável.

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