Acordo UE-Mercosul abre mercado para 39 produtos de MS

Mato Grosso do Sul tem uma lista de 39 produtos considerados estratégicos para ampliar as exportações à União Europeia, aproveitando a abertura gradual do mercado prevista no Acordo de Parceria entre o Mercosul e o bloco europeu.
O levantamento, elaborado pela ApexBrasil em parceria com o MDIC, indica que o estado reúne vantagens competitivas para esse comércio principalmente nas cadeias da pecuária, bioenergia, soja, florestas plantadas e indústria de transformação.
O cruzamento realizado entre os 39 códigos SH6 apontados pela ApexBrasil e as exportações registradas pelo ComexStat mostra que 21 desses produtos já foram exportados por Mato Grosso do Sul para a União Europeia no primeiro semestre de 2026, indicando espaço para ampliar participação em mercados onde o estado já atua. Os 18 produtos restantes ainda não registraram embarques para o bloco no período, representando oportunidades para abertura de novos mercados.
Entre janeiro e junho deste ano, Mato Grosso do Sul exportou para os 27 países da União Europeia um total de 90 produtos, que renderam US$ 647,098 milhões, alta de 2,9% em relação aos US$ 628,843 milhões registrados no mesmo período de 2025.
Formada por Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Polônia, Portugal, República Tcheca, Romênia e Suécia, a União Europeia integra, junto com o Mercosul, um mercado de aproximadamente 720 milhões de consumidores e um PIB conjunto superior a US$ 22 trilhões.
Segundo a ApexBrasil, o estudo identifica os produtos que tendem a obter maior ganho competitivo com a redução gradual das tarifas de importação prevista no acordo comercial. O objetivo não é apontar os itens que hoje lideram as exportações, mas aqueles que possuem maior potencial de crescimento no mercado europeu.
Atualmente, a pauta exportadora sul-mato-grossense permanece concentrada. Em 2025, celulose, soja e carne bovina responderam por 69,5% de todas as exportações do estado, indicando que ainda existe amplo espaço para diversificar os produtos vendidos ao exterior.
O levantamento mostra que a cadeia da proteína animal será a principal beneficiada pela abertura comercial. Das 39 oportunidades identificadas, aproximadamente metade está ligada à pecuária, incluindo carne bovina, carne de frango, carne suína, ovos, couro, sebo bovino, proteínas, embutidos e alimentos processados.
Grande parte dessas cadeias já possui presença consolidada na Europa. Entre os produtos que Mato Grosso do Sul já exporta estão carne bovina congelada e refrigerada, cortes de frango, sebo bovino, couros curtidos, carnes processadas e proteínas animais, todos apontados pela ApexBrasil como segmentos com potencial para ampliar participação no mercado europeu. Ao mesmo tempo, o estudo identifica espaço para produtos que ainda não chegaram ao bloco, como carne suína congelada, ovos férteis, ovos desidratados, embutidos e preparações de carne.
Outro destaque é o complexo soja-milho-bioenergia. O estado já exporta para a União Europeia produtos como óleo de soja, proteínas vegetais, óleo de milho, açúcar, etanol, ácidos graxos industriais e preparações para alimentação animal. A ApexBrasil aponta que essas cadeias ainda podem ampliar sua participação, impulsionadas pela redução gradual das tarifas. Além dos produtos já comercializados, aparecem oportunidades para derivados de milho, sementes, biodiesel, produtos químicos renováveis e outros insumos industriais ligados à bioeconomia.
A mineração aparece como outra cadeia com potencial de crescimento. Hoje Mato Grosso do Sul exporta principalmente minério de ferro para a União Europeia. O estudo, entretanto, identifica oportunidades para produtos industrializados, como ferro-gusa e ferro-silício-manganês, indicando espaço para aumentar a agregação de valor antes da exportação.
O Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia foi assinado em 17 de janeiro de 2026, encerrando mais de duas décadas de negociações e criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. Foram assinados dois instrumentos jurídicos. O primeiro é o EMPA, que reúne os pilares político, de cooperação e comercial. O segundo é o ITA, responsável por antecipar exclusivamente a aplicação das regras comerciais.
O ITA entrou em aplicação provisória em 1º de maio de 2026, iniciando a redução gradual das tarifas de importação e a implementação das demais regras comerciais. Para entrar em vigor de forma definitiva, o acordo comercial ainda depende da aprovação do Parlamento Europeu. Já o Acordo de Parceria precisará, além disso, ser ratificado pelos 27 parlamentos nacionais dos Estados-membros da União Europeia e ter o processo de internalização concluído pelos países do Mercosul.
Enquanto esse processo de aprovação é concluído, a redução gradual das tarifas já começou a abrir espaço para que empresas de Mato Grosso do Sul ampliem as vendas para a União Europeia e conquistem novos mercados dentro do bloco.


